Gestão das cidades e drenagem urbana – A questão da canalização de rios e córregos |
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Marco Antônio Pessoa, estudante de Comunicação Social da UFMG |
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A primeira mesa, nomeada Gestão das Cidades e Drenagem Urbana, discutiu a questão da canalização de rios e córregos. Ela contou com a presença do Diretor de Relações Institucionais de Furnas Centrais Elétricas S.A. Marcos Guimarães Lima como moderador. Os palestrantes foram o membro da Diretoria de Recursos Hídricos do Ministério de Meio Ambiente da Alemanha, Wilfried Teuber, o Professor da Escola Politécnica da USP, Sadalla Domingos e o Coordenador do Drenurbs (Programa de Recuperação Ambiental e Saneamento dos Fundos de Vale e dos Córregos em Leito Natural de Belo Horizonte), José Roberto Champs. Wilfried Teuber abriu as discussões e chamou a atenção para o fato de que 80% do rios alemães foram retificados para a navegação ou aumento das terras para agricultura. Segundo ele, “hoje os rios respondem” na forma de enchentes e inundações. Nos últimos 15 anos, a Europa teve grandes prejuízos causados pelas cheias dos principais rios. Isso levou a discussões mais profundas sobre o tema, que passou a ser tratado como assunto político. A partir de então, o Governo Federal Alemão adotou uma política preventiva que incluía a definição de áreas de inundação que não poderiam ser urbanizadas, o mapeamento dos rios e a construção de diques. Outra medida importante foi a renaturalização de algumas bacias de forma que os rios voltassem a correr em seu leito natural. Wilfried ainda ressaltou que na União Européia, desde 2000, existe a diretriz para revitalizar os rios. Sadalla Domingos iniciou sua palestra descrevendo como foram as obras de drenagem urbana na cidade de São Paulo que, segundo ele, representam “como não deve ser feito”. Sadalla disse que São Paulo e Belo Horizonte assemelham-se, pois as duas possuem uma abundância de córregos e não aprenderam a conviver com eles. Na capital paulista, foram construídas grandes avenidas de fundo de vale, as marginais, que segundo Sadalla “são um grande erro”, pois omitem os rios e agravam os problemas causadas pelas enchentes. Ainda existem os córregos que atualmente correm debaixo das ruas, obras que foram feitas na região central de São Paulo e que, para Sadalla, representam uma “bomba relógio”. O professor ainda ressaltou que a prefeitura chega a gastar até 600 milhões de dólares em financiamentos para lidar com as enchentes. Para solucionar o problema, ele acredita que sejam necessárias medidas estruturais, que passam por planos diretores e planejamento da drenagem. Entre as medidas, estão a contenção das águas e aumento das áreas de infiltração nos lotes e casas, além do reconhecimento de áreas inundáveis. A história da relação entre os homens e os rios em Belo Horizonte foi o tema que José Roberto Champs abordou para começar sua palestra. Segundo ele, já em 1920 havia enchentes no Arrudas e, desde aquela época até poucos anos atrás, utilizou-se um modelo de engenharia que procurava evacuar a água rapidamente por meio da canalização e retificação de rios. Ao todo, foram realizadas obras que totalizaram valores próximos a 1,5 bilhão de dólares. Somado a isso, praticamente todos os cursos d’água estão poluídos. Para Champs, é preciso buscar soluções alternativas ao modelo tradicional de engenharia que mantenham os rios e córregos em leito natural. Entre as maneiras citadas por ele, está a estocagem de água, seja por meio da permeabilização do solo ou a definição de áreas de contenção. Champs destacou que é preciso uma gestão hídrica sustentável e participativa. Com esse objetivo, a prefeitura iniciou em 1999 um plano diretor de drenagem com metas de longo prazo que priorizasse a gestão de cursos d’água em leito natural. Assim, surgiu o Drenurbs, que atualmente já conseguiu parte de um financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Champs apontou dois grandes desafios para o futuro: definir um arranjo institucional para gestão das águas e conseguir o restante das verbas para concretizar o programa. |